quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Olha eu aqui outra vez!

Após um longo e tenobroso inverno olha eu aqui outra vez! Outra vez para dizer que às vezes é preciso voltar ao começo para depois conseguir chegar aonde se quer. Sabe quando você olha pra um lado, olha pro outro, procura em tudo que é canto, e não consegue encontrar o que procura? Isso acontece toda vez que tento achar minhas chaves de casa. Mas ultimamente não foram as chaves de casa que eu andei perdendo...Nessa longa viagem que se chama vida eu perdi a única coisa da qual jamais deveria ter me descuidado...eu perdi a Bárbara!
Procurei na estante da sala, atrás do sofá, em baixo da cama, dentro da bolsa, até que quando já estava quase desistindo resolvi dar uma olhada no fundo do guarda-roupa. Em uma caixa de preciosas recordações da infância e da adolescência eis que encontro uma folha de fichário decorada com desenhos do Cebolinha e da Mônica, meio carcomida pelas traças, mas com data ainda visível de quase uma década atrás. No topo da página quem assina as linhas que vem a seguir é Bárbara de Oliveira Miranda, número 5, 8ªA - matutino. No canto inferior direito da página, em calegrafia diferente do restante do texto um comentário: Parabéns! O seu texto está incrível! Esse comentário me instigou a ler o tal "texto incrível!"
Nada mais era que uma simples redação de oitava série sobre meio ambiente, um tema que naquela época já era debatido nas escolas, mas que nem de longe se compara a importância e a conotação que hoje assumiu no dia-a- dia das pessoas. Olhando sob o paradigma jornalístico era um "bom" texto, escrito por mais um entre tantos outros bons alunos do ensino fundamental. Contudo, Teacher Neide, que também lecionava inglês, era (e ainda deve ser) extramamente rigorosa, então, lembrei que um elogio dela era mais do que um simples "Parabéns!" escrito em vermelho, era quase como um "nossa, você é foda mesmo!"
Foi aí que eu me dei conta: "Nossa, eu era foda mesmooo!!!! Mas e agora, o que eu sou?" Sempre aprendi que você não deve se contentar com pouco, pois quem pouco anseia às vezes nada consegue, e sim, eu sempre quis muito. Eu sempre quis ser professora, juíza, diplomata, psicóloga, arquiteta, estilista, enfim... eu realmente queria muito pro meu tamanho. Lembro que quando entrei na primeira série queria tanto aprender a ler e a escrever que com duas semanas de aula já andava pela casa atrás da minha mãe "juntando as sílabas". Se a professora pedia uma redação de dez linhas, a minha sempre tinha quinze. Eu não queria apenas mais, eu queria o melhor. As letras eram milimetricamente calegrafadas, as canetas sempre do mesmo tom... mas nunca era uma tentativa de tentar parecer melhor que os outros, era uma tentativa de sempre ser melhor que eu mesma. É claro que às vezes uma ou outra nota menor que a do colega do lado, principalmente em disciplinas como matemática ou química, era inevitável (fato que não me deixava lá muito contente). A verdade é que essa busca incessante pela excelência, e porque não dizer, pela perfeição, fizeram de mim não apenas o número 5 da chamada, mas alguém que todos achvam "foda mesmo". É verdade também que enquanto muitos me admiravam, a maioria deles me detestava (mas bem, isso acontece até hoje, não é mesmo?).
Foi aí que eu parei pra pensar: onde foi parar todo esse talento, toda essa vontade, todo esse dom? Refletindo bem, decidir o seu futuro aos 16 anos é injusto, e porque não dizer cruel, afinal o que você sabe da vida nessa idade? Eu sequer sabia quem era o Heródoto Barbeiro, e sim, mesmo assim, decidi que seria jornalista... Ah, a faculdade...é comum a gente ouvir as pessoas dizerem que na faculdade você vive os melhores momentos da sua vida, mas quando ainda se está preso à síndrome de Peter Pan os primeiros anos dessa fase podem ser de certo modo traumáticos. Foi lá que passei de aluna prodígio a número, mas exatamente o número 400051119 da turma de 2005. Não cheguei a ser brilhante, e nem de longe fui aquele tipo que marca a vida acadêmica por porres homéricos, piadinhas indesejadas na sala de aula, exames em cima de exames no fim do ano, e que ainda assim é querido por todos. De fato, parece que nada mais fui que o número 400051119.
"Caraca!!!!Agora fudeu de vez!" Aí bate aquele desespero, aquele vazio e aquela vontade de se afogar num litro de vodica, o que até é legal, mas depois que passa a ressaca você percebe que não adinantou nada.
Dias e dias refletindo, estava eu na frente da tv e eis que em um determinado canal topo com o Oscar Niemeymer, do alto dos seus 103 anos, falando de seu projetos profissionais (sim, acreditem, aos 103 anos). Foi aí que eu me toquei de que comparada ao Niemeyer eu ainda sou uma criança, ele tem 80 anos a mais que eu! Isso quer dizer que aos 103 eu vou estar no mesmo patamar que ele? Não necessariamente. Mas o Niemeyer me fez enxergar o que estava bem diante do meu nariz: sempre é tempo de recomeçar!!!!
E foi isso que eu fiz. Voltei a ser a menina que passa horas no quarto ouvindo Red Hot, e que acha o Antony Kieds bem mais sexy que o Nick dos Backstreet Boys, voltei comprar roupas em brechó, voltei a não me importar em tomar chuva de verão (afinal, existe chapinha pra quê?!). Só não digo que volto pra faculdade porque se pudesse escolher de novo, e de novo, e mais outra vez, a opção seria a mesma, e consequentemente os erros e acertos também!!! E o mais importante, voltei a fazer a coisa que mais me faz feliz nesse mundo, voltei a escrever, seja sobre a economia da Irlanda, ou sobre coisas rotineiras, casuais ou banais (que me divertem bem mais, ih rimou!)
Então, se você que teve paciência de ler essa pequena auto-biografia em formato de post-desabafo, em 2011, ou quando perceber que algo não está saindo como planejado, simplismente volte ao começo, volte a ser você mesmo!
Eu sou Bárbara de Olveira Miranda, muito Prazer!!! ou não...ahauhauahauah
até a próxima!
fui!